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Como usar dezembro para fazer o planejamento tributário e evitar surpresas em 2026

Planejamento tributário 2026: estratégias para serem definidas em dezembro

Dezembro é, sem dúvida, o mês mais estratégico do ano fiscal para qualquer gestor. Enquanto a operação foca as vendas, a inteligência do negócio deve focar a tributação. A resposta para “como pagar menos impostos em 2026” precisa ser construída agora.

O planejamento tributário não é mágica, é matemática e legislação aplicada com inteligência. Trata-se de analisar os números reais de 2025 e projetar o cenário de 2026. Deixar essa análise para janeiro é arriscado, pois o tempo para decisão é curto.

A escolha do regime tributário é a espinha dorsal desse planejamento anual. Uma escolha errada feita em janeiro condenará a empresa a pagar impostos indevidos por 12 meses. Não existe possibilidade de troca de regime tributário no meio do ano.

Além do regime, dezembro oferece oportunidades únicas de manobras fiscais lícitas (elisão fiscal). Ações como antecipar despesas dedutíveis podem ter impactos significativos no caixa. É o momento de usar o calendário a seu favor para reduzir a carga.

Neste artigo, vamos explorar como transformar o mês de dezembro em uma alavanca. Vamos detalhar as simulações e estratégias que sua empresa deve executar imediatamente.

A grande decisão: simulação de regimes tributários

A primeira tarefa é rodar a simulação comparativa entre os três regimes tributários disponíveis. Não basta olhar apenas para o faturamento bruto para decidir. É preciso analisar a margem de lucro, a folha e as despesas operacionais.

Muitas empresas no Simples Nacional estouraram o sublimite de ICMS/ISS em 2025. Para elas, migrar para o Lucro Presumido pode representar uma economia imediata em 2026. Isso é verdade, especialmente, se elas tiverem poucos funcionários, reduzindo o impacto do INSS patronal.

Por outro lado, empresas no Lucro Presumido com margens em queda podem migrar para o Lucro Real. No Real, se a empresa tem prejuízo ou lucro baixo, o imposto diminui. No Presumido, paga-se sobre uma margem fixa, independentemente da realidade.

A variável “Folha de Pagamento” é crucial nesta simulação comparativa. O peso do INSS Patronal (20% sobre a folha) pode inviabilizar a saída do Simples Nacional. O planejamento deve considerar as contratações previstas para o próximo ano.

Não decida com base no “achismo” ou na intuição de mercado. Exija do seu contador uma planilha comparativa com três colunas (Simples, Presumido, Real). Os números mostrarão o caminho lógico para a economia tributária. Consulte os limites do Simples Nacional no portal da Receita Federal.

Regime de caixa X competência: o poder do timing

Uma estratégia poderosa para empresas do Simples e do Lucro Presumido é o regime de caixa. Nesse modelo, a empresa só paga os impostos quando efetivamente recebe do cliente. Não se paga imposto apenas pela emissão da nota fiscal, protegendo o caixa.

Dezembro é o prazo final para organizar a contabilidade para adotar essa opção. Para empresas que vendem parcelado ou têm alta inadimplência, o regime de caixa é vital. Evita-se o desembolso de caixa para pagar imposto sobre dinheiro não recebido.

Se a empresa já opera no regime de competência, dezembro permite estratégias de timing fiscal. Se você tem uma venda pronta para o dia 28 de dezembro, analise a situação. Pode ser interessante negociar a emissão da nota para o dia 2 de janeiro.

Ao postergar a emissão em apenas 5 dias, você posterga o imposto em um mês. Isso gera capital de giro a custo zero para a operação da empresa. Claro, a operação física deve acompanhar a fiscal para ser legal.

O contrário vale para despesas em empresas do Lucro Real (deduções). Antecipar a contratação de serviços para dezembro pode aumentar as despesas do ano corrente. Isso reduz o lucro tributável e o Imposto de Renda a pagar no fechamento.

Entenda como ajudamos E-commerces a gerir esse fluxo. Leia a Lei Complementar n. 123/2006.

Revisão do pró-labore e o Fator R

Para empresas de serviços no Simples Nacional, dezembro é o mês de calibrar o “Fator R“. Ele determina se a empresa será tributada no Anexo III ou no Anexo V. A diferença de alíquota inicial é brutal (6% contra 15,5%).

Para ficar no Anexo III, a folha de pagamento deve ser de 28% do faturamento. Se a sua empresa está próxima desse limite, um ajuste no pró-labore salva o ano. Pode garantir também o enquadramento correto para o início de janeiro.

Pode ser vantajoso aumentar o pró-labore dos sócios em dezembro estrategicamente. Paga-se um pouco mais de INSS, mas reduz-se drasticamente a alíquota do Simples Nacional. É uma conta de troca inteligente que gera economia líquida.

Essa estratégia exige planejamento mensal, mas dezembro é a última chance de corrigir. Ignorar o Fator R é um dos erros mais caros que prestadores de serviço cometem. É literalmente jogar dinheiro fora pagando imposto maior sem necessidade.

Além disso, a revisão do pró-labore impacta a tabela do IRPF dos sócios. Com as novas faixas de isenção, vale a pena recalcular o valor ideal de retirada. O objetivo é otimizar a tributação na PF e na PJ simultaneamente. Nossa equipe de Imposto de Renda faz essa análise cruzada.

Análise de benefícios fiscais e setoriais

O Brasil possui diversos programas de incentivo fiscal que muitas empresas desconhecem ou ignoram. Dezembro é o momento de verificar se o seu negócio se enquadra em algum para 2026. Programas como o Perse (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos) ofereceram benefícios agressivos para setores específicos.

Mesmo que programas mudem, existem outros incentivos regionais ou setoriais a explorar. A Lei do Bem, por exemplo, oferece benefícios para empresas de tecnologia e inovação. 

A adesão a esses programas geralmente exige planejamento prévio e cumprimento de requisitos.

Empresas exportadoras ou que planejam exportar em 2026 também devem se preparar. As receitas de exportação são imunes a diversos impostos federais e estaduais. Estruturar a operação para segregar essas receitas é vital para a imunidade.

Verifique também a possibilidade de Juros sobre Capital Próprio (JCP). Para empresas do Lucro Real, pagar JCP aos sócios reduz o IRPJ da empresa. O JCP é considerado despesa dedutível, gerando economia real no balanço.

Essa análise exige um contador com perfil consultivo e atualizado com a lei. Use dezembro para questionar sua contabilidade sobre o que a legislação oferece.

O orçamento empresarial para 2026

Por fim, o planejamento tributário deve desaguar no orçamento empresarial (budget) de 2026. Saber quanto se pagará de imposto permite projetar o fluxo de caixa com precisão. Isso ajuda a definir metas de vendas e limites de gastos operacionais.

O orçamento deve prever os reajustes de impostos e taxas para o novo ano. Deve, também, contemplar o aumento do salário-mínimo e dissídios coletivos. Sem essa previsão, a empresa entra no novo ano operando às cegas.

Inclua no orçamento as datas de vencimento de obrigações anuais de início de ano. Taxas de fiscalização (TFF), renovação de alvarás e contribuições sindicais vencem nessa época. Esses custos costumam surpreender o caixa em janeiro e fevereiro.

O planejamento tributário bem-feito oferece a previsibilidade necessária para decisões de investimento. Se você sabe que vai economizar 10% em impostos, pode usar esse recurso para investir em marketing ou novos equipamentos para crescer, por exemplo. Saiba mais sobre nossa contabilidade consultiva.

Planejar é lucrar: entenda mais!

Dezembro não é mês de “fechar a loja”, é mês de desenhar o mapa do lucro. O tempo investido agora em planejamento tributário retornará multiplicado em 2026. 

A inteligência fiscal é o diferencial competitivo das empresas que crescem. Não deixe o governo levar mais do que o devido.

Quer saber qual o melhor regime tributário para o seu CNPJ em 2026? Solicite uma simulação personalizada com a Canella & Santos e comece o ano pagando menos impostos.

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